Analisis del discurso en las musicas punk

O sujeito no discurso punk brasileiro Resumo: Este artigo apresenta a analise de tres musicas de autoria da banda punk Garotos Podres. A tematica analisada nas musicas e a descricao do sujeito a quem a musica se refere, e a formacao discursiva do mesmo. Por meio da Analise de Discurso (AD), uma das correntes de estudos linguisticos contemporanea, buscou-se identificar o sujeito e sua formacao discursiva. Por meio do genero, somado a tematica escolhida, serao apontadas as principais regularidades evidentes nos segmentos utilizados para a analise, Palavras-chave: Sujeito. Ideologia.

Heterogeneidade. Movimento Punk 1 INTRODUCAO Este artigo tem por objetivo analisar o sujeito e sua formacao discursiva, presente nas musicas do grupo Garotos Podres. Utilizando como fundamentacao teorica os conceitos da Analise do Discurso, a intencao e investigar a posicao do sujeito descrito nas musicas, se e aquele que nao participa do movimento e a musica serve como um chamado para ingressar no grupo, ou se e uma descricao do proprio sujeito, participante ativo. A escolha do corpus se justifica por ser a musica um dos principais canais de transmissao dos movimento sociais.

Presente em todas as sociedades, a musica serve como meio de integracao e interacao social. Existem na historia diversos movimentos que

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a utilizaram para divulgar sua ideologia no intuito de atrair a atencao das pessoas. As musicas selecionadas para a analise sao: Suburbio Operario, Caminhando para Nada e Miseraveis Ovelhas. Todas sao composicao do vocalista da banda Jose Rodrigues Mao Junior. A banda e uma das primeiras a surgir no Brasil, como uma banda representante do movimento punk, e tem um grande reconhecimento por parte do publico.

Suas letras sao politizadas e a intencao com a analise e buscar as referencias socio-historicas por tras do discurso da banda. A Analise do Discurso faz compreender a linguagem como mediacao necessaria entre o individuo e a realidade natural e social. Os individuos sao aquilo que falam. Para se tratar do sujeito do discurso e necessario considerar as condicoes de producao, a que esta submetido por questoes ideologicas ou socio-historicas. Seguindo esse raciocinio, o sujeito nao constroi o discurso e nem a historia, apenas os organiza.

Serao buscadas certas regularidades nos segmentos e estas serao destacadas a fim de se realizar a analise relacionando-os com a exterioridade socio-historica. 2 FUNDAMENTACAO TEORICA Para a Analise do Discurso, e importante que sejam considerados os sujeitos, suas inscricoes na historia e as condicoes de producao da linguagem. Analisam-se, assim, segundo esse dominio de estudos, as relacoes estabelecidas entre a lingua e os sujeitos que a empregam e as situacoes em que se desenvolvem o dizer. O estudo discursivo considera, em suas analises, nao apenas o que e dito em dado omento, mas as relacoes que esse dito estabelece com o que ja foi dito antes e, ate mesmo, com o nao-dito, atentando, tambem, para a posicao social e historica dos sujeitos e para as formacoes discursivas as quais se filiam os discursos. No que se refere aos precursores dos estudos discursivos, destaca-se o frances Michel Pecheux, cujos estudos tem forte embasamento nas correntes marxistas. Segundo Pecheux, nao ha sujeitos individuais no discurso, ha “formas-sujeito”, ou seja, um ajustamento do sujeito a ideologia.

O autor tambem pontuou que nao ha lingua sem sujeito, assim como nao ha sujeito sem ideologia. Eni P. Orlandi coloca que uma “formacao discursiva” e a que determina o posicionamento ideologico de um discurso. “As palavras mudam de sentido segundo as posicoes daqueles que as empregam. ”, ou seja, a partir do momento em que se relacionam os diferentes sentidos que se pode ter de uma determinada palavra com o sujeito que a usa em seu dizer, isso permite compreender o processo de producao dos sentidos e sua relacao com a ideologia, chegando cada vez mais proximo ao sujeito e a sua intencao ao dizer.

Ao afirmar que a presenca da ideologia se da atraves da interpretacao dos sentidos a autora demonstra que tanto os sentidos quanto os sujeitos de um discurso tambem dependem da ideologia que adotam, e ao mesmo tempo sao constantemente influenciados pela linguagem, pela historia em que se inserem. Orlandi ainda pontua que o gesto de interpretacao se faz entre a memoria institucional, que e aquilo que esta incorporado ao sujeito desde sempre, e os efeitos da memoria constitutiva, que e o dizivel, o interpretavel, o saber discursivo.

Considerando as afirmacoes da autora pode-se perceber que o sentido que se percebe nos dizeres tambem estao sujeitos a deslocamentos, apesar de muitas vezes parecerem inalterados, pois somente com a ideologia o individuo se torna um sujeito com identidade. A formacao discursiva segundo a autora e definida como: aquilo que numa formacao ideologica dada determina o que pode e deve ser dito, ou seja, as formacoes discursivas representam, no discurso, as formacoes ideologicas.

Sendo assim, os sentidos sempre sao determinados ideologicamente, e isso se da na discursividade, isto e, no modo como, no discurso, a ideologia produz seus efeitos (ORLANDI, 1999, p. 43). A ideologia segundo Althusser esta presente na sociedade, e e materializada nos discurso que a sociedade enuncia. A divisao de classes, segundo ele, demostra as diferentes relacoes entre os sujeitos quando coloca que: “a ideologia interpela individuos como sujeitos. O reconhecimento se da no momento em que o sujeito se insere, a si mesmo e a suas acoes, em praticas reguladas pelos aparelhos ideologicos. (BRANDAO, 1998) Outro ponto importante diz respeito a heterogeneidade discursiva. A autora que conferiu uma maior definicao para esse conceito na AD foi Authier-Revuz. Segundo ela a propria linguagem e de uma natureza heterogenea, logo o discurso, por sua natureza linguistica, tambem e heteregeneo. Na AD a heterogeneidade se relaciona com o interdiscurso, o exterior constitutivo que da condicoes para a construcao de qualquer discurso, num processo de reelaboracao ininterrupta que comporta toda a historicidade inscrita tanto na linguagem quanto nos processos discursivos.

Esses pressupostos da Analise do Discurso servirao de base para a analise das musicas. 2. 1 O MOVIMENTO PUNK O movimento punk surge em 1974 como uma contraposicao ao movimento hippie. Enquanto os hippies buscavam o campo para uma vida de paz e tranquilidade, os punks surgem como um movimento urbano, contrario a cultura tradicional. O movimento se inicia com uma postura apolitizada, porem vai assumindo um discurso anarquista de oposicao ao estado, a igreja e as grandes coorporacoes capitalistas. No Brasil o movimento se inicia em 1978, com a formacao da primeira banda punk brasileira: Restos de Nada.

No Brasil o movimento, assim como em todo o mundo, comeca apolitizado e depois de um periodo sofre uma divisao. Algumas bandas assumem o ideal anarquista e passam a militar politicamente em favor dos partidos de esquerda. E outra passam a difundir um discurso comunista. O ideal anarquista era composto de individuos que combatiam o capitalismo e buscavam a construcao de uma nova formacao social, nao mais dividida em classes e governada pelo Estado, queriam uma formacao descentralizada, horizontal e autogestionaria. Os anarquistas queriam acabar com todas as instituicoes, as tradicoes e principalmente o Estado.

O comunismo tambem combatia o capitalismo e a ordem burguesa, porem divergia do ideal anarquista na questao de acabar com Estado imediatamente. Segundo Marx, o ideal comunista somente seria alcancado depois de passar por uma fase socialista, na qual houvesse um Estado revolucionario que construiria as bases para o comunismo. Em 1982, no considerado auge do movimento punk no Brasil, surge a banda Garotos Podres. O idealizador da banda foi Jose Rodrigues Mao Junior, vocalista e compositor. A banda traz em seu repertorio letras politizadas e satiricas, dentre elas Suburbio Operario, Caminhando para Nada e Miseraveis Ovelhas.

Por meio do levantamento dos elementos do contexto de producao como o papel social do produtor e interlocutor, o lugar social e o momento da producao vistos acima prtende-se analisar as marcas de uma possivel heterogeneidade na formacao discursiva da comunidade punk. Serao feitas as parafrases para tornar mais clara a hipotese, construindo uma nova versao do objeto de analise, dizendo de outra forma o que e dito, isto para demonstrar que, ao contrario do que parece, o dizer pode sim ser dito de outro modo, sem alterar sua definicao semantica, mas podendo alterar a forma como significa dentro do discurso.

Apos isso, serao identificadas as relacoes do discurso com formacoes discursivas que estejam agindo sobre ele, e assim relaciona-lo a ideologia do sujeito para, enfim, poder tirar conclusoes a partir dos sentidos de discurso ja realizados, imaginados ou possiveis. 3 ANALISE DO CORPUS A analise do copus sera dividida em duas partes. Primeiro sera feita uma tabela com os segmentos das musicas que serao parafraseadas. Serao duas tabelas, uma contendo as parafrases dos trechos em que o sujeito se decreve diretamente, e outra na qual o sujeito se forma a partir da negacao, e dizer, a partir daquiklo que ele nao e.

Em seguida serao selecionados alguns trechos para a analise do sujeito e sua formacao discursiva, buscando verificar quem e o sujeito, se e o sujeito punk parte do movimento ou se e o sujeito nao participante do movimento. Tambem sera verificada a ideologia presente na formacao discursiva, se e um movimento anarquista ou se e um movimento comunista. A seguir seguem as musicas que serao analisadas. Suburbio Operario Nasceu num suburbio operario, de um pais subdesenvolvido, apenas parte da massa, de uma sociedade falida, submisso a leis injustas que o fazem calar. Manipulam seu pensamento e o impedem de pensar

Solitario em meio a multidao sufocado pela fumaca rodeado pelo concreto Perdido no meio da massa apenas caminhando no compasso de seus passos seu grito de odio ecoa pelo espaco Sem esperanca de uma vida melhor pois os parasitas, sugam o seu suor Sem esperanca de uma vida melhor pois os parasitas, sugam o seu suor Sobrevivendo das migalhas que caem das mesas os donos do papel, os donos do papel!!! Miseraveis Ovelhas Miseraveis ovelhas de um imenso rebanho onde os pastores sao os proprios chacais se vossas mortes lhe trouxer algum lucro eles os matarao como animais para eles trabalha e lhes da a vida em troca eles lhes dao fome, a miseria e a escravidao e quem sao eles? sao os donos do sistema donos de suas vidas e de sua maldicao Caminhando Para Nada Caminhando apressado a caminho do trabalho Legioes desesperadas caminhando para o nada Enquanto os donos do capital manobrando a economia Saqueando a sua vida promovendo a miseria geral Voce entrega o seu tempo Seu orgulho, seu sentimento Sua forca de trabalho Tudo em troca de salario Enquanto os donos da moral difundindo sua doutrina La dentro de suas batinas livrando as almas de todo mal Enquanto os donos do poder discursando do palanque Nos vendendo aos yankees querendo enriquecer

Voce entrega o seu tempo Seu orgulho, seu sentimento Sua forca de trabalho Tudo em troca de salario Ninguem compra meu suor tem limite meu humor O que eu quero e saber, como, quando e o que fazer Voce entrega o seu tempo, Seu orgulho, seu sentimento Sua forca de trabalho Tudo em troca de salario A primeira tabela sera composta por recortes que identifiquem o sujeito em um dicurso direto. Tabela 1 – O sujeito em uma referencia direta 1. Nasceu num suburbio operario 2. apenas parte da massa 3. Legioes desesperadas 4. miseraveis ovelhas de um imenso rebanho 5. eles os matarao como animais 1, 2.

Povo; Trabalhadores; Conjunto de pessoas; Multidao. 3, 4. Oprimidos; Agrupamento de homens que se deixam governar por alguem; Classe dominada. 5. Impotente; Subjugado; Dominado por alguem. 1. submisso a leis injustas 2. Solitario em meio a multidao 3. sufocado pela fumaca 4. Perdido no meio da massa 1. Em posicao inferior; Obediente; Subserviente. 2, 4. Esquecido; Abandono; Sem importancia. 3. Revolta reprimida; Sentimento de injustica. A tabela 2 e composta pelos recortes de negacao, pela cosntrucao do sujeito por aquilo que ele nao e. Tabela 2 – O sujeito pela negacao 1. pois os parasitas, sugam o seu suor 2. os donos do papel, . Enquanto os donos do capital 4. Enquanto os donos da moral 5. Enquanto os donos do poder 6. onde os pastores sao os proprios chacais 7. sao os donos do sistema 1. Que vive a custa dos outros; Inutil 2, 3. Ricos; Governo; Donos de empresas que contratam; Pessoas que detem o dinheiro. 4, 5, 6, 7. Governo; Igreja; Classe dominante; Pessoas que exploram os mais fracos. A construcao do sujeito do discurso, conforme ja foi mencionado, se da de duas formas: uma pela cararacterizacao daquilo que ele e, conforme os dados apontados na tabela 1; e a outra forma e pela negacao, daquilo que ele nao e, como mostram os dados da tabela 2.

O sujeito referido: “Nasceu num suburbio operario, de um pais subdesenvolvido, apenas parte da massa”. Ele faz parte do grupo de trabalhadores, dos responsaveis pela mao de obra do pais. Esse sujeito esta: “submisso a leis injustas que o fazem calar. Manipulam seu pensamento e o impedem de pensar. Solitario em meio a multidao, sufocado pela fumaca rodeado pelo concreto. Perdido no meio da massa apenas caminhando no compasso de seus passos. ” Neste recorte fica claro que este sujeito se sente oprimido, abandonado, sem a possibilidade de reagir diante do poder que o governa.

O sujeito faz parte de uma massa subjugada e regida por governantes que nao prestam atencao aos seus problemas. Ele apenas serve como forca de trabalho, sendo esta ideia reforcada no trecho da musica Miseraveis Ovelhas: “miseraveis ovelhas de um imenso rebanho [… ]se vossas mortes lhes trouxer algum lucro eles os matarao como animais. ” O sujeito se sente sem importancia. Faz-se uma analogia aos textos biblicos. Deus e o pastor e cuida de seu rebanho e quer ve-lo unido e protegido, o sujeito nao se sente assim, pelo contrario, aqui e tratado como um animal no sentido de servir apenas para os propositos de quem o domina.

A construcao do sujeito se da pela negacao tambem. Sao contrapostas as ideias do que ele e e do que ele nao e. Conforme a tabela 2 e possivel perceber que este sujeito nao faz parte daquilo que Althusser denomina como Aparelho Repressor (AR) e tampouco parte do Aparelho Ideologico (AI) da sociedade em que vive. O AR e representado pelo Governo, nas musicas e denominado por: donos do poder, os parasitas, donos do papel. O AI, seria o direito, a religiao e a politica, os aparelhos que ditam as regras. Na musica aparecem como: os donos da moral e os donos do sistema.

Pelas analises e possivel estabelecer que o sujeito descrito nas musicas, pode ser tanto o que ja faz parte do movimento, quanto o que nao faz, sendo a musica uma forma de trazer adeptos ao movimento punk. O sujeito facilmente pode se identificar com o que e descrito, pois seguindo a logica da musica exceto se ele fizer parte dos Aparelhos Repressores ou Ideologicos, ele faz parte da classe dominada. Quanto a ideologia por tras do discurso, nao fica exatamente clara se existe uma postura anarquista ou comunista, pois e exposto apenas o problema decorrente do poder ficar centralizado na mao da classe dominante, ou seja, do governo.

Nao chega a ficar explicito se a solucao seria a destruicao desse sistema, como propoem os anarquistas, ou se deveriam passar pela fase socialista para ai atigirem um ideal comunista como propoem os comunistas. Isto ocorre porque nas duas formacoes discursivas, anarquista e comunista, ocorre um ponto os discursos se tocam e sao iguais. A grande diferenca se encontra na forma como cada uma quer atingir seu objetivo. A anarquista adota uma postura mais radical, de eliminacao de toda a ordem, governo, instituicoes religiosas para criar uma sociedade descentralizada, sem divisoes de classe.

O comunismo, tambem visava os mesmos ideais anarquistas, porem seriam atingidos somente depois de passar por uma fase intermediaria, o socialismo, no qual haveria um governo que auxiliaria a transicao. 4 CONCLUSAO O objetivo do trabalho era verificar quem era os sujeito nas musicas punk do grupo Garotos Podres e qual sua formacao discursiva. Apos as analise foi possivel perceber que 5 REFERENCIAS BRANDAO, H. H. N. Introducao a analise do discurso. Campinas: Editora da UNICAMP, 1998. INDURSKI, F. Discurso, memoria, identidade.

Porto Alegre: Editora Sagra Luzzatto, 2000. ORLANDI, E. P. Analise do discurso. LAGAZZI, R. ; ORLANDI, E. Introducao as ciencias da linguagem. Sao Paulo: Pontes, 2006. _____. Analise de Discurso: principios e procedimentos. Campinas: Pontes, 1999. VICENTINI, P . G. F. ; PEREIRA, A. D. Historia do Mundo Contemporaneo. Sao Paulo: Vozes, 2008. Acesso em: 17 nov. 2009. < http://www. midiaindependente. org/pt/blue/2007/06/386444. shtml> Acesso em: 17 nov. 2009. < http://www. garotospodres. com. br/> Acesso em: 17 nov. 2009.